
Os Sinais da Era das Certezas Artificiais
Na Editora, adotamos uma regra: sem tem IA no texto, o sinal de alerta deve ser ligado. E aqui talvez a regra mais simples e direta, cautela e atenção. Esta simplicidade vale para todas as utilizações de Inteligência Artificial.
Gosto de dizer que saímos da era das incertezas para a das certezas artificiais. Isto mesmo. A mentira a se passar por verdade e a ansiedade por respostas prontas levam-nos ao abismo. Certo, mas por que abismo?
A queda livre é de uma verdade impressionante. Quando algo ou alguém cai, o tempo passa tão rápido e a sensação de liberdade pode ser tão incrível, porém tão mínima, que só o desastre final resta como algo duradouro. E a curta liberdade torna-se numa prisão eterna: o nada e a morte.
Nossa cultura corre esse risco. E não somente pelo uso, eventualmente irresponsável, de alunos de escolas do ensino básico, ou até de professores ou alguns profissionais apressados. O problema está nas grandes corporações e na falsa impressão de que com a IA tudo é possível.
As grandes corporações, como se pode notar a olhos vistos, saíram à caça de informações e conteúdos, para triturá-los e reprocessá-los, e, com isso, logo adiante, revendem a módicos preços à vista ou por mensalidades. Mais ou menos como fazemos com o lixo reciclável no Brasil, é gratuita sua origem, mas retorna ao consumidor até mais caro do que em seu uso primeiro. Com o conteúdo, todo, da IA, será e já é assim.
Na falsa impressão, recai talvez o maior perigo do cotidiano. Criaremos realidades artificiais que se perderão nos emaranhados do consumo e da dispersão. E a IA das coisas, a tal IOT em inglês, vem para isso, para nos criar a sensação muito conhecida do prazer artificial e falso, enganador e viciante. Ou alguém não desconfia que o vício nas telas por si não é, já, neste exato momento, prenúncio dessa realidade artificial viciante?
Acredito, muito, em debates e na superação humana. Tenho somente minhas dificuldades em aceitar um estrago depois da fatalidade. Entendamos a IA antes que seja tarde, pois, por ela seremos devorados e por ela as empresas fazem lucros absurdos, e nós terminaremos mais robóticos do que os robôs que em breve nos atenderão na padaria da esquina.
PAULO TEDESCO
EDITOR NA EDITORA CONSULTOR EDITORIAL
Editora Consultor Editorial com muitos títulos para diferentes cabeças. Criando e inovando no mundo dos livros para fazer da cultura brasileira uma cultura única com espaço próprio no conhecimento mundial.